Dados sobre setor de reciclagem e resíduo

A economia brasileira perde cerca de R$ 120 bilhões por ano em produtos que poderiam ser reciclados, mas são deixados no lixo. “Geramos no país quase 80 milhões de toneladas de rejeitos por ano, e reciclamos apenas 3%”, diz o especialista em economia circular e sustentabilidade e coordenador do grupo de resíduos sólidos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Paulo Da Pieve.

Números brasileiros

- US$ 102,5 custo médio da tonelada na coleta seletiva

- US$ 25 custo médio da tonelada de lixo regular

O que o Brasil recicla:

1,5% dos resíduos orgânicos domésticos gerados são reciclados por meio da compostagem

22% do óleo lubrificante

40% da resina plástica PET (polietileno tereftalato)

45% das embalagens de vidro

77,3% do volume total de papelão ondulado

89% das latas de alumínio

35% do papel

Fonte: www.cempre.org.br

- Seis anos após a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil, somente 1.055 cidades brasileiras, o que representa apenas 18% dos municípios, possuem coleta seletiva de resíduos

Segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM):

- 75% dos rejeitos nas Regiões Norte e Nordeste são dispostos em lixões e aterros controlados em que o solo não é impermeabilizado

- Região Sudeste dispõe 45% de seus resíduos sólidos inadequadamente.

“É importante que a empregabilidade dos catadores seja garantida após o fechamento dos lixões”, alerta Severino Lima Júnior, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). “Muitas vezes, sabendo que não têm condições de bancar salários iguais à receita que o catador tinha trabalhando no lixão, as prefeituras pegam meia dúzia de catadores e os colocam em projetos, o que não resolve o problema. Se o lixão fecha da noite para o dia, não dá para garantir que todos os catadores terão trabalho. É necessário todo um processo mais longo de articulação, convencimento e integração”, argumenta.

 - Desde 2010, houve um aumento de 138% na abrangência nacional da coleta seletiva, segundo o estudo Ciclosoft 2016, realizado pelo Cempre

De acordo com as informações cedidas pelas prefeituras, no Rio de Janeiro (RJ), apenas 1,9% de todo o lixo produzido na cidade é destinado à reciclagem; em São Paulo (SP), a proporção é de 2,5%; no Distrito Federal, onde se encontra a terceira maior cidade brasileira (Brasília), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 5,9% do lixo total passam pela coleta seletiva.

Severino conta que em alguns casos as prefeituras enfrentam o despreparo na hora de elaborar bons projetos, o que dificulta a implementação da PNRS nos municípios e estados. “Existem também muitas prefeituras que herdaram uma dívida muito grande com gestão de coleta e resíduos, por isso têm dificuldades em aplicar a PNRS. Em muitos casos, a gente vem mostrando para as prefeituras que, quando o trabalho é feito em conjunto com os catadores, o custo com o serviço diminui e a qualidade do serviço melhora significativamente”, afirma.

As 12 cidades sedes da Copa fazem parte do grupo prioritário escolhido pelo Edital de Chamamento MMA nº 02/2012 para a Fase 1 do Sistema de Logística Reversa de Embalagens da PNRS, que se encerra ao fim deste ano.

- De acordo com os primeiros resultados obtidos pelo Acordo Setorial de Embalagens em Geral, foram registradas ações em 422 municípios de 25 estados, alcançando 51,2% da população brasileira nesta primeira fase de implantação do modelo

De acordo com o relatório, 702 organizações de catadores de todo o país foram apoiadas e 3.151 ações de estruturação para adequar e ampliar a capacidade produtiva das cooperativas foram realizadas entre 2012 e 2016.

Para Victor Bicca, presidente do Cempre, órgão que coordena o trabalho realizado pela Coalizão, “o momento, agora, é de incrementar essa sinergia, buscando compartilhar e aproveitar de forma mais eficaz nossas experiências. Outros setores e empresas têm nos procurado para participar da Coalizão, mas há players que continuam fora do Acordo e é necessário incentivar e cobrar sua adesão para assegurar conquistas maiores e mais diversificadas”.

“Para incrementar a logística reversa, ainda temos algumas questões relevantes a enfrentar como a desoneração da cadeia produtiva, com a redução dos tributos que desestimulam a reciclagem, e a ampliação do parque reciclador – ou seja, das empresas que usam os recicláveis para fabricar novos produtos”, avalia Bicca. “Não adianta focar somente na coleta, é preciso impulsionar a reciclagem dos materiais, a partir de sua viabilidade técnica e econômica. Mesmo no atual cenário recessivo, os resultados deste ano mostram que estamos no rumo certo para fortalecer um modelo sustentável e competitivo.”

Para Severino, a iniciativa da Coalizão em criar um Sistema de Logística Reversa para as embalagens, que apoia desde as menores cooperativas ao trabalho individual realizado pelos catadores, tem dado resultado. “O reconhecimento que as empresas e as indústrias têm com a profissão do catador, com as associações e cooperativas, demonstra o respeito que elas têm por nós. Para a gente, o Acordo Setorial de Embalagens em Geral é de suma importância e tem feito uma diferença enorme tanto no processo de mobilização quanto no de fortalecimento dos empreendimentos de catadores no Brasil”, complementa.

Fonte: http://www.abralatas.org.br