Resíduos Recicláveis e Orgânicos

A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS (Lei nº 12.305 de 02/08/2010) é norteada por 11 objetivos, entre os quais estão 3 objetivos fundamentais:

I. Não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e a disposição final adequada;

II. Adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar impactos ambientais;

III. Incentivo a indústria de reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados.

 

Antes de iniciarmos, é importante esclarecermos o conceito de resíduos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede públicas de esgotos ou em corpos d´água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviável em face da melhor tecnologia disponível.

Já os rejeitos são os resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentam outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada, que são os aterros.

 

Pois bem, todos nós estamos sujeitos a cumprir o que prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos, desde o fabricante, até o consumidor.

Nossa ideia, para cumprirmos com a nossa parte, é partir do princípio de Emissão ZERO, otimizando os recursos naturais em todo o processo, para que sempre que possível não gere resíduos. É importante REPENSAR se precisamos de determinados produtos e, inclusive, RECUSAR produtos provenientes, por exemplo, de trabalho escravo ou produzido por crianças que são obrigadas a trabalhar.

 

O Instituto Akatu desenvolveu um teste com perguntas simples e interessantes para utilizarmos antes das compras:

1. Realmente precisamos de determinados produtos que compramos ou ganhamos?

2. Compramos produtos duráveis/resistentes/recarregáveis, evitando comprar produtos descartáveis?

3. Evitamos a compra de produtos que possuem elementos tóxicos ou perigosos?

4. Quanto tempo destinamos ao consumo?

5. Lemos os rótulos dos produtos para conhecer as suas recomendações ou informações ambientais?

6. Usamos detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis?

7. Sabemos se compramos produtos provenientes de trabalho escravo ou produzidos por crianças que são obrigadas a trabalhar?

8. Damos preferência a produtos e serviços que não agridem ao ambiente tanto na produção, quanto na distribuição, no consumo e no descarte final?

9. Compramos produtos de origem duvidosa?

10. Evitamos a compra de caderno e papéis que usam cloro no processo de branqueamento?

11. Pegamos emprestado ou alugamos aparelhos/equipamentos que não usamos com frequência, em vez de comprá-los?

12. Evitamos as pilhas de alto teor de chumbo, cádmio e mercúrio?

13. Exigimos, juntamente com outros consumidores, produtos sem embalagens desnecessárias, assim como vasilhames?

14. Escolhemos produtos de empresas certificadas, isto é, que desenvolvam programas socioambientais e/ou que sejam responsáveis pelo produto e embalagens após o consumo?

 

Caso, após esta etapa, realizemos a compra do produto, partimos para as seguintes perguntas: 

Este produto precisa gerar resíduos? Será que posso modificar algo para que isso não aconteça?

Responder estas perguntas pode nos levar a REDUZIR e adotar as seguintes atitudes:

1. Comprar somente o necessário;

2. Comprar produtos duráveis;

3. Adotar um consumo mais racional e não por impulso;

4. Comprar produtos que tenham refil;

5. Diminuir a quantidade de pacotes e embalagens;

6. Dividir com outras pessoas alguns materiais como jornais, revistas e livros;

7. Levar sacolas ou carrinhos de feira para carregar compras, em substituição às sacolas plásticas oferecidas pelas lojas e supermercados.

Como, certamente não conseguiremos atingir 100% de redução, partiremos para REUTILIZAR.

Reutilização: processo de aproveitamento do material, utilizando-o com a mesma função, portanto, sem sua transformação biológica, física ou físico-quimíca. (EM CAIXA)

 

Aqui temos algumas possibilidades para colocar em prática esta ação:

1. Compramos produtos cujos frascos e embalagens são reutilizáveis e/ou recicláveis;

2. Guardamos, para uso posterior, envelopes que já foram usados, mas que continuam perfeitos; para guardar documentos ou fotografias

3. Fazemos a limpeza em objetos antigos, sem uso, para começar a reutilizá-los;

4. Consertamos brinquedos, equipamentos, roupas;

5. Aproveitamos objetos para fazer arte e bijuterias;

6. Utilizamos potes de vidro, que são ótimos para armazenar alimentos;

7. Utilizamos potes de plástico, que são boa opção para guardar pregos, parafusos, chips, etc;

Se mesmo após essa mudança de comportamento seja necessário descartar o material, que seja de forma segregada (separação de resíduos plásticos, metálicos, de papel, de vidro etc), possibilitando ainda RECICLAR.

RECICLAGEM: efeito de recuperar a parte útil dos resíduos e reintroduzi-la no ciclo de produção para transformação em insumos ou novos produtos. Aqui assistimos a alterações física, físico-química e biológicas. (EM CAIXA)

 

E o que podemos reciclar?

 

É importante esclarecer que quanto mais acondicionado estiver o resíduo, mais aumenta a chance de reciclá-lo. Para tanto, a necessidade de coletores adequados para cada tipo e quantidade de descarte.

Na figura acima é possível identificar quais são as cores dos coletores compatíveis com a segregação de cada tipo de resíduo.

A reciclagem também evita o processo de incineração, que consiste na queima de lixo, visando à redução de quantidade. Esta atividade é altamente desaconselhável devido à liberação de gases tóxicos que prejudicam tanto ao meio ambiente, quanto a saúde humana.

Outro ponto de destaque é o desenvolvimento da tríade, crescimento econômico, equidade social e proteção ambiental possibilitada por esta prática. 

Confira aqui os dias de coleta seletiva em Santos.

 

Recuperação de Óleo de cozinha

Jogá-lo pelo ralo, vaso sanitário, bueiros ou guias de calçada pode trazer danos irreparáveis ao meio ambiente. O descarte incorreto na pia pode provocar o entupimento dos encanamentos das residências e acúmulo de gordura na caixa de gordura, responsável pelo armazenamento do resíduo. O óleo descartado que passou pelos encanamentos e não ficou retido, chega às redes que coletam o esgoto doméstico.

Há dois caminhos possíveis de serem percorridos, para o rio ou mar ou então para uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Lá, é preciso que o óleo misturado com água e outros resíduos passe por uma rede coletora - nesta passagem é que o óleo obstrui o fluxo de esgoto que iria para a ETE. Descartando indevidamente, você não só prejudica a estrutura do seu encanamento como também pode causar o refluxo do esgoto para outras residências.

Já o impacto causado pelo óleo que chega sem tratamento a um rio é a diminuição de oxigênio dissolvido na água, provocando a morte da fauna aquática. Um litro de óleo tem a capacidade de poluir cerca de um milhão de litros de água.

Como devemos proceder:

- Armazene e leve a um posto de coleta

Coloque a sobra da fritura em uma garrafa PET limpa e entregue em um posto de coleta para que seja reciclado corretamente. Lembre-se de fechar bem as garrafas, para que evite vazamentos e fora do alcance de crianças e animais de estimação. Confira os postos que aceitam o descarte do produto em Santos.

 

– Transforme-o em sabão caseiro

Você mesmo pode dar um novo destino ao óleo de cozinha.

A receita é simples e pode ser feita em casa:

Materiais: 5 litros de óleo de cozinha usado, 2 litros de água, 200 mililitros de amaciante, 1 quilo de soda cáustica em escama.

Preparo: coloque cuidadosamente a soda em escamas no fundo de um balde e acrescente a água fervendo. Mexa até diluir todas as escamas da soda e depois adicione o óleo e mexa. Em seguida, adicione o amaciante e mexa novamente. Jogue a mistura numa fôrma e espere secar. Corte o sabão em barras.

 

O óleo também pode ser utilizado para produção de biodiesel, tintas a óleo, massa de vidraceiro e outros produtos. Isso preserva matéria-prima, incentiva a reciclagem e evita que mais litros de óleo sejam descartados de maneira incorreta.

 

Recuperação de lâmpadas

Ainda que as lâmpadas fluorescentes sejam práticas, duráveis e consumam até 90% menos de energia elétrica para produzirem a mesma luminosidade, no interior delas há um componente químico tóxico e pesado, o mercúrio.

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o valor máximo de mercúrio que pode estar concentrado em uma unidade é de 100 miligramas de mercúrio por quilo do resíduo. O contato com a substância em níveis mais altos pode gerar sérios problemas à saúde, principalmente se for inalada, o que pode causar problemas neurológicos e até hidragirismo (intoxicação que causa tosse, dispnéia, dores no peito e outros problemas mais graves).

O meio ambiente também sofre consequências nefastas com o despejo inadequado, podendo causar chuvas contaminadas, como também ser absorvidos por microorganismos, tornando-o orgânico em vez de metálico. Ao ingeri-los, animais aquáticos e plantas podem reter o mercúrio e assim contaminar o meio ambiente sem que exista chance de erradicação.

Caso a lâmpada quebre é necessário tomar algumas medidas:

- Retire crianças e animais do local. É fundamental que ninguém tenha contato direto com o material

- Ventile o ambiente. Abra janelas e portas o quanto antes

- Para a limpeza use luvas e papel toalha umedecido para limpar todos os resíduos

- Caso o mercúrio tenha tido contato com roupas de cama ou outro material que tenha contato direto com o corpo, descarte a peça. Mesmo após a lavagem a peça permanecera contaminada

- Se você se cortar com os cacos de vidro, procure atendimento médico o quanto antes

 

Sobre o descarte adequado, de acordo com a Lei Complementar Municipal 779, de 5 de setembro de 2012, os estabelecimentos que comercializam esse produto no município são obrigados a oferecer caixas próprias para coleta e dar a destinação final do material junto aos fornecedores.

 

 

Recuperação de eletroeletrônicos

O Brasil é um dos líderes no descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE) – segundo informações da ONU, uma cidade como São Paulo produz cerca de 5,5 mil toneladas de resíduos eletrônicos por ano. Estima-se que apenas 4% desse material seja descartado devidamente em nosso país.

Estes resíduos são compostos de metais pesados e tóxicos, como mercúrio, cádmio, berílio e chumbo, além de outros compostos químicos como os BFRs (Brominated Flame Retardants) – somente o celular contém 43 elementos químicos da tabela periódica – o que constitui um risco para o meio ambiente quando descartados de forma inadequada. O resultado pode ser a contaminação de lençóis freáticos quando em contato com o solo, além da possibilidade de liberação toxinas perigosas, caso sejam incinerados. Outro ponto de atenção são as graves doenças que pessoas que trabalham coletando lixo nos lixões ou mesmo nas ruas e terrenos baldios estão expostas.

O que fazer?

Caso você tenha adquirido um equipamento novo ou apenas por estar obsoleto, uma possibilidade é doá-lo para instituições que realizam o trabalho de remanufatura. Lá é promovido um prolongamento da vida útil do aparelho, tornando-o novamente eficiente. A iniciativa por vezes viabiliza negócios sociais que tenham como foco a inclusão digital ou cursos de profissionalização.

Confira aqui a lista de locais em Santos que recebem os REEE, incluindo pilhas e baterias.

 

Recuperação de cartuchos

Antes das nossas dicas, cabe questionar: tudo o que foi impresso era necessário?

Aqui temos dois impactos ambientais possíveis, o uso excessivo de papel e os cartuchos de tinta que são descartados ao longo do tempo, e sobre eles que será a nossa abordagem. Tanto os de tinta, quanto o toner são feitos de plástico, no entanto, segundo um artigo publicado na Unicamp, o pó contido no toner é constituído de uma mistura de carbono com estireno, acrilato, resina de poliéster e outros polímeros. Estes componentes quando incinerados ou descartados de forma inadequada liberam polímeros, metais e até gás metano, agredindo o meio ambiente e contribuindo para o efeito estufa.

Para minimizar esses efeitos podemos tomar as seguintes atitudes:

Recarregue seu cartucho de tinta. Feito de forma correta e por empresas que prezam pela qualidade e idoneidade dos serviços, a recarga poderá ser realizada diversas vezes.

Empresas como HP, Samsumg e Epson possuem sistemas de coleta do material, a partir de agendamento. Procure juntar cerca de 5 cartuchos, é a quantidade mínima que os fabricantes costumam aceitar para a retirada, no caso de empresas, muitas vezes é requerido que juntem até 30 toners vazios.

Aconselhamos que o local de armazenamento esteja livre de umidade ou temperaturas altas e, preferencialmente, dentro de recipientes para evitar vazamento.

Também é possível fazer a reciclagem retornando os recipientes para lojas especializadas ou destinando na coleta seletiva. O coletor adequado é o vermelho, para materiais plásticos.

 

Recuperação e encaminhamento de doação de móveis

Sofás, camas, armários e outros móveis são frequentemente encontrados jogados em vias públicas, canais, mangues e até nas praias. O descarte irregular acumula sujeira e obstrui bocas de lobo e galerias pluviais, sem falar que pode servir como abrigo para roedores e insetos.

Esta atividade irregular pode gerar multas, que dobram de valor caso o munícipe seja reincidente.

Antes de descartá-los, já pensou na possibilidade de pintar os móveis antigos para que pareçam novos ou então restaurá-los? Ou mesmo trocar a capa dos estofados?

Listamos abaixo alguns links com dicas de reaproveitamento de móveis e outros materiais que pareciam não ter mais utilidade:

https://br.pinterest.com/explore/m%C3%B3veis-reaproveitados/?lp=true

https://minhacasaminhacara.com.br/tag/reaproveitamento/

https://claudia.abril.com.br/sua-vida/nada-se-perde-tudo-se-recria-aprenda-a-reutilizar-seus-moveis-antigos/

http://delas.ig.com.br/casa/decoracao/2014-08-15/moveis-e-objetos-reaproveitados-ajudam-a-decorar-sem-gastar-muito.html

 

Caso você realmente opte por se desfazer, confira aqui uma lista de instituições que aceitam a doação de móveis ou então, entre em contato com a Prefeitura de Santos, que oferece o serviço de Cata-Treco, que recolhe os materiais após agendamento, de segunda a sábado

Agendamento do Cata-Treco: 0800-7708770

 

Recuperação e encaminhamento de doações de roupas/ tecidos

Quando fazemos a arrumação dos armários e selecionamos as roupas que ficam e as que vão, normalmente encaminhamos peças para doação (confira aqui alguns locais que aceitam doações em Santos) ou então, para aquelas que não apresentam boas condições de uso, acabamos por descartar ou usando como pano para limpeza.

No entanto, podemos propor soluções melhores. Muitos tecidos possuem em sua composição resíduos químicos decorrentes de processos de coloração e aplicação de texturas. Este material, caso não seja descartado corretamente, pode contaminar tanto o solo, quanto lençóis freáticos. Portanto, vamos reaproveitá-lo.

  1. Diversas peças de roupa podem ser cortadas em retalhos, que, unidos, formarão um patchwork, a ser usado como colcha, manta para sofá, jogo americano ou tapete;
  2. Um papelão pode ser envolvido no tecido de uma antiga blusa ou saia para criar um apoio de panela;
  3. Um pedaço de uma peça de roupa pode ser colocado em uma moldura transformando-se em um belo quadro ou painel de recados;
  4. Um abajur pode ficar novinho se tiver sua cúpula reformada com o tecido de uma ou várias roupas antigas;
  5. Peças de roupa a princípio inutilizáveis podem se transformar no enchimento e cobertura de um pufe, uma almofada ou um boneco infantil;
  6. Cabides podem ser encapados com amarrações de tiras de tecidos de roupas antigas, ficando mais bonitos e antiderrapantes;
  7. Porta trecos, porta retratos e capas de cadernos ou agendas com auxílio de cola, podem ser revestidos com as roupas sem uso, ganhando um novo estilo;
  8. Mangas de blusas, principalmente as de lã, podem ser costuradas para se transformarem em capas para celular;
  9. Ecobags, bolsas de diversos tamanhos, nécessaires e porta documentos, podem ser feitas com os tecidos das roupas que não poderão ser doadas;
  10. Diversas tiras de antigas blusas de malha podem ser amarradas e trançadas de modo a compor um cachecol ou colar.

Reciclar peças antigas também é uma maneira de economizar, além de possuir peças exclusivas.